Celorico de Basto

A aldeia em miniatura de Agilde — o que vale a pena saber a partir da Casa de Pelicas

O projecto artesanal de Pedro Lemos numa encosta de Celorico de Basto: entrada livre, a 25 minutos da casa, e o passeio que resulta com crianças.

A aldeia em miniatura de Agilde na encosta, com dezenas de casas e o mosteiro ao fundo

Fotografias: Rota do Românico

A aldeia em miniatura de Agilde fica a cerca de 20 a 25 minutos da Casa de Pelicas, numa encosta da freguesia, e não é um parque temático. É o projecto de uma vida de Pedro Lemos, que começou a montar casinhas com pedras e paus depois da escola e nunca parou. Quando os hóspedes perguntam o que fazer com crianças num dia em que a ecopista já não chega, é para aqui que apontamos.

Hoje o terreno tem cerca de trinta metros de comprimento por onze de largura, e mais de cinquenta edifícios feitos à mão — cimento, pedra, tinta, e a manutenção que o próprio artesão trata nos tempos livres. As peças que mais trabalho lhe deram são as réplicas do Hospital de Fafe e do Mosteiro de São Gonçalo de Amarante; há também dois castelos, um deles com ideias tiradas do de Guimarães, e muitas casas copiadas das moradias da zona. Não é o Portugal dos Pequenitos. É mais pequeno, mais caseiro, e está ao ar livre numa encosta de mato.

A visita é andar entre as ruas. Toda a gente — incluindo os miúdos — fica com a escala de gigante, e é isso que funciona: igreja, espigueiros, casas senhoriais, uma praça com fonte, um cemitério em miniatura. Na primavera e no verão a vegetação cresce à volta das casas e o sítio ganha ainda mais a cara de aldeia. O que não se faz é tocar. Algumas peças já estão partidas porque alguém não teve cuidado, e o projecto continua a ser de uma pessoa só.

Não há bilhete, não há horário, não há café. Está aberta o ano inteiro, a qualquer hora, e a junta de freguesia de Agilde alcatroou o acesso em 2020 e pôs placas. O que falha é o estacionamento: a última rua é um beco estreito. Deixe o carro na Rua do Outeiro, onde há berma, e suba a pé a seguir as indicações — o troço final ainda é de terra e é íngreme. Com chuva escorrega. Calçado confortável, e o cão só se estiver de trela e longe das miniaturas. No mapa, procure «Aldeia Miniatura de Pedro Lemos».

Uma hora chega. As crianças ficam mais tempo do que os adultos, e isso é o argumento a favor: é o passeio curto que se encaixa antes do almoço na casa, ou a seguir a um mergulho em Fermil, sem transformar o dia num roteiro. Se quiser juntar o Castelo de Arnoia no mesmo percurso, faça a aldeia primeiro — depois de um castelo, as casinhas perdem um pouco o encanto; ao contrário, funcionam.

Celorico premia este tipo de paragem: local, grátis, e suficientemente perto da piscina para não se sentir que se saiu de férias. É exactamente o oposto das listas genéricas do Minho, e por isso é que a recomendamos a partir da Casa de Pelicas.

Fotografias: Rota do Românico

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